Carta Celeste

Gramática é a ciência da Linguagem. Linguagem é a expressão da Idéia. Idéia é a manifestação da inteligência. Inteligência é o espírito de Deus no homem. - Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Vermelho Vermelho
Tópico: Um mundo em transformação - Subtópico: Revolução! no Sistema Totalitário Burguês - rascunhos

Revolução no Sistema Totalitário Burguês

Publicado em 23/05/2011 0:32 e Atualizado em: 23/05/2011 0:53

Desenvolvendo ideias presentes no livro "A Servidão Moderna", de Jean-François Brient e Victor León Fuentes, que você encontra aqui (http://www.delaservitudemoderne.org/portugues1.html), além das reflexões e vivências que se passam através de mim, às quais agrego ideias de outros tons, predominantemente, de Foucault e Reich.

 

Revolução

 

O que procuro fazer aqui trata-se sim de fomentar uma revolução, com vistas a uma libertação.

 

Mas uma revolução e libertação algo diferentes por não serem contra um agente qualquer escravizador. É revolução mas contra ninguém e a favor de todos.

 

Não falo isso para parecer mais agradável, algo mais ao gosto do crônico comodismo do modo de ser burguês. É que de fato não é revolução no sentido monolítico e facial de blocos uns contra os outros, mas sim revolução desde dentro: imanência, emergência, combustão interior de um sistema caminhando certeiro para um ponto de bifurcação, onde ou uma nova ordem nasce por si mesma, mais complexa que a anterior, irreversível, ou o sistema inteiro se autodestrói.

 

Sistema

 

Para se compreender esse matiz, há que se entender que uso o termo sistema fundado principalmente em 'autopoiese', ou seja, sistema como um padrão razoavelmente estável de ordem autoconstruída, que emerge por si mesma de um todo complexo e diverso, através de metabolismos de feedback (auto-alimentação), por meio de um influxo constante de energia (de caráter econômico) perpassando elementos individuais (as pessoas) e as colocando em relação (sociedade/comunidade).

 

Todos os elementos do sistema estão igualmente envolvidos na construção do todo ao mesmo tempo que são construídos por ele: autopoiese. Por isso vou tendendo a acreditar que não existe qualquer elemento 'meta-histórico' em um sistema social qualquer, como aliás já disse Foucault. As chamadas elites, detentoras explícitas ou ocultas de um certo 'poder' - onde nele alguém poderia ver um centro controlador - estão tão envolvidas no sistema e são tão por ele condicionadas como qualquer outro elemento, por mais 'subalterno' que possa parecer dentro dos confins ideológicos ali vigentes.

 

Assim, os banqueiros, desfilando suas gordas barrigas pela Avenida Paulista, são tão presidiários do sistema totalitário burguês quanto o mais mísero gari.

 

Não são eles quem produzem ou se beneficiam do sistema, apenas são o próprio sistema que se revela em um de seus planos dialéticos e necessários. Por isso, nesta revolução, como a vemos, lutar-se contra os banqueiros seria tão estúpido como lutar contra os garis.

 

Tenho impressão que muito da vitória da ideologia burguesa contra a ideologia revolucionária marxista - hoje tão em baixa, e até levada muita vez ao ridículo - deve-se a essa má avaliação.

 

Culpados

 

Por isso não há culpados específicos do atual estado de coisas. E, ao contrário, todos nós somos culpados.

 

Se não é uma elite financeira ou empresarial que produz e reproduz o sistema, que o comanda, que o construiu, quem seria então? Todos nós.

 

O sistema totalitário burguês foi algo que todos nós fizemos – e continuamos a fazer – conosco mesmos. Cada um de nós que vive do dinheiro (salário ou lucro), que não tem um corpo saudável o suficiente para retirar da natureza os elementos de sua vida e que vive no (ou do) espaço geográfico burguês, a cidade contemporânea produz e reproduz o sistema totalitário que nos oprime a todos.

 

Quem vive fundamentado num destes três elementos - dinheiro, adoecimento do corpo ou espaço burguês - é agente formador e mantenedor do sistema totalitário burguês, assim limitado, injusto, perverso e escravizante.

 

O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles. Não se trata de conceber o indivíduo como uma espécie de núcleo elementar, átomo primitivo, matéria múltipla e inerte que o poder golpearia e sobre o qual se aplicaria, submetendo os indivíduos ou estraçalhando−os.

 

(…)

 

Ou seja, o indivíduo não é o outro do poder: é um de seus primeiros efeitos. O indivíduo é um efeito do poder e simultaneamente, ou pelo próprio fato de ser um efeito, é seu centro de transmissão. O poder passa através do indivíduo que ele constituiu.” (Microfísica do Poder - Foucault)

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Comentários

Nome: ADENICE MARIA CERQUEIRA

Comentado em: 26/05/2013 8:44

OLA QUERIDOS IRMAOS,TENHHO INTERESSE DE INICIAR C ESTUDOS DA EUBIOSE,POREM N SEI COMO INICIAR.HA POUQUISSIMO TEMPO ESTOU VIVENDO NO BRASIL, DEPOIS DE LONGO PERIODO DE MINHA VIDA NA EUROPA.ESTOU EM IABUNA BA. COMO CONSEGUIR LIVROS,+ INFO, ACOMPANHAR OS ESTUDOS ETC...

 

Nome: Peres

Comentado em: 01/06/2011 15:10

Curti... Primeiro gostaria de propor uma reflexão, ainda que a comparação seja um pouco ridícula, imaginemos um parlamentar sendo eleito, e ao empossar o cargo que lhe é devido, pratica corrupção. Será este político culpado por ter agido deste modo, ou será apenas vitima de um "estado" corrupto? Ainda assim devo concordar quando diz que a culpa não é deste ou daquele, também acredito que assim se dão as coisas por que a reprodução do processo de produção e das relações sociais assim se estabeleceram. Porém, devo parafrasear meu finado avô: "Pra mim tanto é bom quem entra na horta quanto quem fica na porta!" Entenda-se aqui, que não me excluo dos culpados, ou pelo menos dos "facilitadores"! E por ultimo tambem acredito que estamos todos presos, a diferença é que alguns são Diretores, outros carcereiros, e nos somos aqueles da "solitária", desculpem o trocadilho, mas num resisti rsrsrsrs.

 

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