Carta Celeste

Nossa missão é justamente fazer LUZ sobre tudo o que o povo desconhece. - Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Amarelo, Azul e Vermelho Amarelo, Azul e Vermelho
Tópico: Sala de Estar - Subtópico: Conversando com você

Entre o cosmos e o mistério, entre Deus e a Deusa

Publicado em 01/09/2014 11:26 e Atualizado em: 01/09/2014 11:39

Expresso as questões abaixo de forma intencionalmente subjetiva (acredito/não acredito).

 

Eu não acredito em nenhuma verdade, quanto mais absoluta e universal, seja ela revelada por iluminação ou descoberta pelo método científico. Não acredito em nenhum “Deus”, “Eterno”, ou qualquer coisa que o valha, como por exemplo uma “Lei”. Não acredito numa ordem cósmica, nem em uma “justiça divina”. Não acredito na hierarquização da vida, do “cosmos” etc. Acho extremamente improvável que tenhamos uma “alma imortal” e, portanto, não acredito em reencarnação de “alguém”. Não acredito em evolução nem em missões pré-determinadas, e não acho correto que ninguém faça-se de si mesmo “instrumento da Vontade” de quem quer que seja, principalmente de Deus ou Deuses!

 

No entanto, gosto da obra do Prof. Henrique porque se Deus existe, assim como carma, reencarnação, uma ordem universal, se as religiões patriarcais (ou “solares”, como ele dizia) tiverem um fundo de verdade, na obra dele ele realmente encontrou uma forma profunda de síntese e harmonização não só do aspecto moral das religiões, o que é fácil, mas dos mitos que originam os dogmas, pensamentos que abrem caminho para a interação das tradições patriarcais que são, por natureza, tão arredias umas às outras, já que todas se baseiam em verdades absolutas, e dois absolutos não se beijam.

 

Há quem diga que ele inventou tudo aquilo. Acredito que não. Vejo ele como alguém absorvido pelos padrões culturais de seu tempo, mas com a mente muito aberta ao oriente e às coisas não ocidentais. Pelo que eu pude perceber da trajetória dele, o começo todo foi o espiritismo. Existem textos mais antigos em que ele se diz um entre os outros médiuns ao seu redor (estes textos estão no site “carta celeste”). A diferença é que a “entidade” que ele incorporava se dizia ligada a tradições tibetanas, principalmente. E depois foi “subindo” na escala hierárquica que ele teorizou com base na Teosofia.

 

Então eu acho que ele é tão inventador ou iludido consigo mesmo como qualquer outro médium é ou pode ser que seja.

 

Agora o que eu acredito.

 

Em primeiro lugar, exatamente por não acreditar que o ser humano, nem qualquer outro tipo de ser, é capaz de conhecer qualquer verdade que vá além de sua própria estrutura, ou seja, é totalmente sem sentido falar em uma verdade absoluta descoberta por qualquer que seja o indivíduo, percebo, pelo óbvio, o Mistério imenso, indecifrável, invisível, que cerca a tudo e todos.

 

Percebendo o Mistério – que fica bem descrito pelo “absurdo” de que falava Camus – a porta fica aberta para tudo, não tenho como descartar qualquer crença, e tenho consciência de que apenas me inclino em preferências pessoais, naquilo que faz mais sentido para mim, ou seja, algo extremamente subjetivo e sem nenhuma pretensão profética ou de propalação de qualquer coisa.

 

A princípio pode parecer um escapismo que busca o caminho mais fácil, mas o que concluí depois de toda esta jornada pelo “mundo da Verdade”, é que ela é apenas um jogo de poder, uma vertente abstrata e intelectualizada, um atavismo rançoso, das justificativas de poder absoluto dos reis absolutistas de todas as épocas. Uma forma de impor algo a alguém.

 

Acredito que a vida é uma ocorrência muito rara no universo, e que, justamente por não existir nenhuma ordem universal, não existe nenhum propósito cósmico maior, nem qualquer comprometimento do universo, com a vida. E a vida, que é exceção, deve proteger-se a si mesma, ela sim que tem uma ordem, uma harmonia, uma circularidade, um ir e retornar.

Então acredito em coisas bem visíveis. Acredito que o ser humano é uma espécie que se construiu baseada no que chamamos de amor e que vive imersa na linguagem, que é um comportamento como outro qualquer, em si mesmo tão instintivo como de qualquer outro animal, mas que, pelo simples fato de ser diferente dos outros animais, nos caracteriza.

 

Então acho que o amor é uma coisa totalmente humana, a mais humana das características. Não é universal, não há um “Amor Universal”, a não ser que seja aquele amor que um humano possa ter por todas as coisas.

 

O que há, para mim, é a vida com sua lógica própria e com quem a melhor relação que podemos ter é a de nela ver uma mãe amorosa, cujo rigor, quando existe, também é cheio de amor. Não que a vida tenha amor, mas nós é que vemos amor nela, porque nós somos os que vivem no amor. Ver o amor da vida ao nosso redor, sua benção e graça, e ver os outros seres humanos também imersos nessa viver, é o estado humano mais natural.

 

Neste estado, vejo que o homem consegue vivenciar plenamente a sua existência, e isso é o mesmo que dizer que ele é livre. A liberdade é justamente a ausência de negação a si mesmo, de sujeição a um poder ou uma ordem superiores e isto acontece na proporção inversa de medo que vivenciamos.

 

O medo não vem do desconhecido, vem de achar que o desconhecido é um inimigo em potencial. Então o medo vem da emoção de termos inimigos, ou seja, daquele tipo de experiência antinatural para nossa espécie porque se distancia do amor.

 

Para exemplificar, um ser humano para quem não tivesse sentido se falar em inimigos não vivenciaria o medo, mesmo que, conhecendo a natureza das coisas, por prudência evitasse certas ocorrências. Ele não teria medo de uma cobra, mas nem por isso colocaria o dedo na boca dela. Entretanto, se morresse pela mordida acidental da cobra, isto apenas lhe significaria que era seu momento de morrer, como acontece com qualquer coisa viva.

 

Hierarquização e negação de si mesmo, poder, disciplina imposta por outros, etc, vejo isto como um atavismo dos primatas ancestrais ao humano, a linhagem que nos deu origem antes mesmo dos australopitecos, coisa bem antiga mesmo, porque os primos chimpanzés e gorilas são o que são, e não iguais a nós, exatamente pelo fato de que são sociedades hierarquizadas, machistas e políticas, conforme se observou recentemente.

 

Interessante notar que, provavelmente por este atavismo, e porque ele tende a nos descaracterizar como humanos, é que o macho humano tende a ser o elemento instável e frágil da nossa espécie, aquele que as culturas mais antigas, como em geral as paleolíticas e as primeiras do neolítico (Minóicos, por exemplo), viam como o que circula na periferia de um eixo feminino, este sim estável e forte.

 

O Deus é aquele que morre e ressuscita, enquanto a Deusa é quem tem condições de ser o eixo que mantém este metabolismo vivo.

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Comentários

Nome: jaimenogueira

Comentado em: 27/09/2014 9:04

muito boa e sensata a explicaçao

 

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