Carta Celeste

A malícia é a criadora da censura. - Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Vermelho Vermelho
Tópico: Sala de Estar - Subtópico: Conversando com você

A morte da verdade

Publicado em 14/06/2014 11:49 e Atualizado em: 14/06/2014 18:32

Já que a razão é apenas um comportamento, balbuciando sons e gestos concatenados por estados corporais, sentidos como sentido, é ela tão própria para descobrir o que há “lá fora” de nosso corpo ou de nossa humanidade quanto são os zumbidos das abelhas, o som do mar, os gestos de um elefante. Ou seja: nada.

Não admira que a razão falhou no projeto da modernidade de encontrar soluções para tudo e nos levar a um mundo melhor, uma “Nova Era”.

Não, a razão presta-se àquilo que presta qualquer comportamento de qualquer ser vivo: construir-lhe um mundo: corpo, percepções e meio ambiente. A razão constrói, não desvenda um grão de areia sequer.

Em resumo nada sabemos nem é possível saber nada do que existe “lá fora” de nós mesmos.

Estamos imersos no “mistério” de Souza, “nonada” de Guimarães, no “absurdo” de Camus. Se do outro lado do mistério existe a Lei, do nonada existe a mônada e do absurdo, o sentido profundo, jamais saberemos.

Jamais saberemos se o mistério é o panteão dos anjos de Hegel ou o caldo caótico de demônios de Schopenhauer. O máximo que podemos chegar é ao mistério-absurdo, porque tudo o que fazemos é construção.

Qualquer sentido “visto” no universo, qualquer finalidade, qualquer razão, é nossa construção, baseada no nosso jeito de sentir um fio de meada, um sentido.

Mas isto não quer dizer nem que “lá fora” é caos, que é vazio e sem propósito. Não podemos concluir nem isto. Apenas tudo indica que se víssemos o sentido ele seria tão incompreensível que nos seria necessariamente invisível, ainda que visto.

Podemos apenas nos permitir não saber, e aqui e ali deduzir uma sincronia ou outra, uma simetria qualquer, mas bem descompromissada, bem consciente da sua completa incapacidade em erigir-se como um sistema de compreensão totalizante, e bem tranquila quanto a entender que ainda assim não é nem dedução nem compreensão mas construção.

Entendo porque a filosofia se faz pela negação, desconstrução e pelo despir-se e afastar-se de nossa humanidade, pelo inútil e desprezível, que, no entanto, engendra o sagrado, o profundo, a revelação.

Entendo porque várias das culturas que tiveram mais tempo de maturação, após decretarem a ilusão do que se “vê”, passaram a focar-se na meditação e no trabalho com o corpo como “sistema filosófico”.

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Comentários

Nome: Josehvictor

Comentado em: 28/06/2014 11:45

Que bom que o Sr. voltou a postar!

 

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