Carta Celeste

Quando você puder suportar, em contínuo movimento circular ao redor do seu coração, a dor do luto - o calor da vida - o frescor do medo - a aceitação da vitória, no centro, uma fogueira irá acender-se, e você em chamas será inteiro, e sendo inteiro, livre. -

Artigo de Cor:  Azul e Vermelho Azul e Vermelho
Tópico: Sala de Estar - Subtópico: Conversando com você

UM MUNDO SEM SACOLINHAS PLÁSTICAS

Publicado em 22/02/2012 9:18 e Atualizado em: 22/02/2012 9:23

Isabela Ferreira

 

Coitadinhas! Essas coisinhas que nos serviram durante esses anos – COISAS, hein? Não “pessoas que nos serviram”, estão com a faca no pescoço...

 

Ops! Sacolas plásticas correm o risco de serem decapitadas?

 

Antes fosse. É mais acertado dizer que muitas pessoas estão sem a cabeça, ou com ela “balangando”, fragilmente penduradas no seu lugar.


Como os vandalismos UTIs, digoúteisacontecidos hoje na apuração do carnaval paulistano. Não sei por que ficar contra uma única agremiação que é julgada como lugar de favelados, encrenqueiros, e outros nomes que são estranhos a uma cabeça que deveria ser mais compreensiva, até mesmo bondosa, pois o Brasil é diferenciado de outros lugares, a começar pela fusão das raças, entre outros fatores.


Enquanto isso, a grande preocupação em construir mais um estádio, para um evento irrelevante que poderia ser adiado lá pra 2026, constatando o que a gente passa por esses dias...


Não vou alongar na discussão da brigaiada do dia 21, até porque torço para ninguém. Não dou muita importância adepartamentos, mesmo que estes ainda existam no mundo.


É o negócio das sacolinhas plásticas e coisas mais que irritam e... Fazem pensar. Ainda bem que consigo sair da irritação, para poder pensar depois! Eu queria mesmo era pensar antes de ficar irritada, mas... É questão de tempo, de experiência, etc. Até mesmo de pudor.


É uma chatice falar de atitudes pra lá, posturas pra cá, etiquetas acolá – ”etiqueta: Pequena ética. Numa atitude superficial, neurótica e pior, que distrai de outros e verdadeiros objetivos: Despoluir o homem, a mulher, até a criança, coitadinhanão sabe de nada, né?; Historinhas de quepequenas atitudes fazem a diferença, sem ao menos dar uma olhadinha nas grandes ações, que não envolvem a abolição da sacola plástica, porque ela é umacoisa. Abolição da besta, do animal no ser humano, ah, é coisa difícil. Porque:


  1. O ser humano é muito complexo”: O ser humano não, os “outros”, enquanto eu sou simples. O que eu posso fazer pelo meu inimigo? Rezar! Pedir a Deus pela alma dele que é sujíssima, enquanto a minha é sujinha só um tiquinho... Mas afinal o outro ser humano é complexo demais para ser compreendido por mim. É aquela história: Julgar aos outros pelos seus atos e a mim mesma... Euzinha... Pelos meus ideais.

  2. Todos nós somos pecadores... Imperfeitos (sem ao menos imaginar o que seja Perfeição, ou a possibilidade disso no Ser Humano). Inconscientemente, o único documento que estou sustentando (ou ostentando) é umvale-pecado. Então, sou a DESCULPA em forma humana. A Terra não agüentaria tanto tempo assim, com essa desculpa esfarrapada. Acredita que ações interferem no planeta? Pensar e sentir também são ações, e poderosas (já que nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, e excluindo qualquer ideia de superioridade, blasfêmia etc) A Idade Média incorporou a desculpa de que nascemosem pecado. Não o século XXI.

  3. Pequenas atitudes”, não: “Uso externo”, por conveniência, para receber polegares verdes, pra mostrar que faz. Mudancinhas, enfim; Pra entrar na “política correta”, pra estar por dentro – não dá para precisar o que seja esse dentro, mas... Imaginação ajuda.

  4. A desculpa científica de que somos do reino animal, e não seres vivos à parte. Com coisas de animal, que deveriam ser superadas e não foram ainda. A imaginação e o raciocínio levam ao entendimento dessa desculpinha.

  5. O mundo gira por girar... É um grande passatempo. Uma grande distração. Um grande pão e circo. É só comer e brincar por cima e em cima dele. A historinha do pó.

  6. Porque são atribuídas coisas diabólicas, ouelepróprio, fora e longe, bem longe de mim. Enquanto Deus éobrigadoa escutar que Eleestá somente fora de nós mesmos, os mesquinhos pedidos que não são ligados a outros seres humanos, a não ser a mim mesma, ou, no máximo, à minha família; Como se o tinhoso fosse uma criação gerada de si mesmanunca, jamais pelos nossos pensamentos e sentimentos, e que eventualmente pode até entrar em nós! E o pior: Jamais este ser sairá do seu horrível estado... Nunca se cogitou a possibilidade de ele ser redimido, assim como os criminosos? Então o mundo es perigoso... Os pensamentos e sentimentos bons estão bastante limitados, reservados a poucas pessoas, enquanto eu aumento e invento muito mais formas de pensar contrárias a Deus, que amo tanto. Que Deus é esse que somente tem pena do tal Diabo, lutando com ele, rivalizando com ele, eternamente? Será que tem mesmo essa condenação eterna, enquanto para outros... O céu eterno? EsseCéutão almejado deve ser parecido com Brasília atualmente: Tudo na falsa paz, nosussego, enquanto essasbondosas almascochicham e condenam... Até riem dos coitados operários, ou seres infernais, segundo a mentalidade dessessantos. Um verdadeiro santo jamais gostaria de ver alguém ajoelhado e sim, de pé, de cabeça erguida (sem o nariz empinado, também). se pode, achar que você é freguês de santo...

  7. A idéia de quesempre foi assim. Se fosse, julgaria o Santo Nome como o maior perverso de todo o Universo (péssima rima). É impossível pensar que a Natureza, coisa divina, não se incumba de fazer eternos ajustes, que infelizmente dizemos somente que é castigo ou recompensa. Quem não quer aprender sou eu, somos nós, é o mundo cheio de gente. Não são as sacolinhas plásticas ou qualquer COISA que seja... Lembrando que nós fazemos as COISAS. O mundo seria muito mais feliz, aliás, seria maravilhoso haver 7 bilhões de PESSOAS no mundo, mas pelo que é dito, parece que 2/3 que não querem ser incluídas na categoria humana... Repetindo eternamente uma vida selvagem, animal.

 

Fechada a história das desculpas? Não tenho ideia. A história se estende...

 

Imagino um mundo onde eu e muitas pessoas estão livres de sacolas plásticas; De remédios alopáticos (que ótimo); Até mesmo de carne... Cruzes! Um monte de vaca, porco e galinha soltos por aí? Tadinhas das cenouras, repolhos, alfaces... Não serão poupadas! Ou seja, uma vida light, natureba... Superficialmente.


Visitas darão lugar aseguir calendário,deixar um tempo na agenda. Convívio com pessoas que gostamos, em ocasiõesoficiais” – não são maisespeciais, porque a vontade de vir o Natal não é de estar junto da família ou pensar no mundo, e sim de comer a leitoa. Precisa mesmo de datas para acontecerem essas coisas?


Porque parece que perduram as querelinhas dentro e fora das famílias, as fofocas, pré-julgamentos; quebradeira de celulares, móveis, bancadas carnavalescasgrande festinha que poderia ser substituída por cinco dias de realizações que todos os seres iluminados apregoam; e até mesmo de corpos humanos; intromissões nada amorosas, embora com esse pretexto; o incômodo ao ver outras pessoas realmente felizes, sem a percepção de que, se existe eco no som, também pode ter no coração de cada um, quando outra pessoa fica acima da Terra, estando no Céu... O que é mais importante: EM VIDA, e não depois que passou pro lado de lá. E a pessoa pode serbonitaoufeiana aparência, branca, negra ou misturada, sem ter a indignidade de ser julgada comocoisa inferioroupior. Que julgamento indigno de Cristo...

 

O efeito dominó ainda está mais forte nessas questões negativas. A felicidade é limitada, mesquinha, indigna de ser irradiada para as outras pessoas, até hoje, no século XXI (sem falar que o mundo tem muito mais que 21 séculos, mas como aculturaocidental é diferente da oriental quecultua um tal de Buda, convencionou-se usar do ano 0 em diante. O que está pra trás não interessa à nossacultura... Por mais evoluída, sábia e bela que seja, a cultura exótica.

 

Imagino é um mundo lotado de cachorro e gato, cujos restos parecem menos desagradáveis que o das crianças... Inclusive uns cinco ou mais na minha casa, afinal dão muito menos trabalho... Mas isso daí não nos dignifica? E imagina, conhecer uma pessoa desde quando ela temcara de joelho? É simplesmente maravilhoso.


O ser humano é muito complexo...Igualzinho a uma frase:Os corpos se entendem, mas as almas não. Compreendi, com minha mente ainda poluída, o que se quis dizer com o entendimento, bastante mútuo, entre os corpos... Inclusive quando um punho se entende com um nariz, numlindíssimo encontro. a alma... Ainda questionam se ela existe! E confundem alma com espírito, até agora. Espiritualidade é sinônimo de coisas astrais, fantásticas, milagrosas,sobrenaturaise místicas e não de fraternidade, amor, respeito, ética, justiça.Tudo isso é muito moralista. Confundem desapego material com desleixo com a própria dignidade, aceitando tudo sem criticar. Até quando durará esse tal sacrifício? Quando é que vou parar de achar que o mundo é de misérias, de dor, de tristeza (valendo os pecadinhos e pecadões que nos distraem e nos destroem aos poucos por causa da ignorância), enquanto está para mim reservadooutro mundo? Esse tal de outro mundo não poderia ser aqui?

 

Sacolinha plástica sou eu: Descartável e ao mesmo tempo demorada para SUMIR do mapa, emporcalhando o ambiente. Sacolinha plástica que serve paracarregar coisas,sendo levada para onde alguém perdeu as botas, paracolocarem coisas em mim” – quem coloca? Os que se julgam poderosos, em não produzir nada por conta própria... Aliás, impedindo que minha divina natureza produza e transforme alguma coisa, porque prefiro me distrair sendo apenas sacolinha plástica. E sem falar que sou a mais bonita de todas. quero melhorar a aparência da minha sacolinha. De que vai adiantar, então, eliminar minhas irmãzinhas, enquanto permaneço aqui, bonitinha mas sem o brilho que me faz diferente e única e ao mesmo tempo igual? Por mais esperta que eu seja na fofoca, na intriga, no instinto brigão ou mesmo na coitada da TPM, que virou culpada de toda falta de equilíbrio digno de uma mulher?

 

 

 

 

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Comentários

Nome: Willian Pascoal

Comentado em: 20/05/2012 21:09

Ótimo texto!

 

Nome: Melania

Comentado em: 09/12/2013 20:31

adorei o texto!!! Parabéns!!

 

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