Carta Celeste

Gramática é a ciência da Linguagem. Linguagem é a expressão da Idéia. Idéia é a manifestação da inteligência. Inteligência é o espírito de Deus no homem. - Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Vermelho Vermelho
Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Humanidade a caminho da unidade.

OS 'MESTRES' DA ERA DE AQUÁRIO

Publicado em 22/01/2012 14:31 e Atualizado em: 22/01/2012 17:47

Pelo meu modo de ver as coisas, e que quero compartilhar aqui, desde meados do século XX deixamos a Era de Peixes e passamos a viver regidos pelos valores da Era de Aquário, na sucessão dos ciclos que são próprios da vida.

Isto quer dizer os antigos valores piscianos, derivando-se a si mesmos continuamente há aproximadamente dois mil anos, naquele momento, chegaram a uma certa complexidade  nestas derivações que permitiu as condições necessárias para uma mudança estrutural de paradigmas, uma nova forma de ver tudo e todos, tão nova que não é reconhecida de pronto, e que por isso mesmo gera resistências e inseguranças de toda espécie, incompreensão e angústias, mas também um novo horizonte de possibilidades sedutoras e perigosas.

Estes nomes “peixes” e “aquário” são obviamente metáforas que buscam sintetizar, e ao mesmo tempo germinar, as ideias relacionadas ao tipo de valores e vivências de que estamos falando. Devem ser vistas criativamente e não de forma reducionista, não buscando conclusões baseadas no “certo” ou “errado”, mas um constante diálogo com nosso supraconsciente (que alguns chamam de inconsciente). Diálogo este ousado, crítico e principalmente livre.

Da era de peixes temos a metáfora que nos faz lembrar aqueles imensos cardumes percorrendo o mar. Vejo peixes de um mesmo tipo, vivendo juntos e com todo reconhecimento mútuo baseado no sentimento do “pertencimento”. Um grupo destacado do “em torno”, fluindo num meio que lhes é próprio, mas que deixa muitas vezes o “outro” do lado de “fora” até o momento em que ele se torne “um de nós” e, por adesão a nossos valores, adote nossa imagem, nossa aparência, e assim ingresse em nosso grupo.

Este viver é muito bem expresso pelo Cristo e seus Apóstolos, imagem de um Mestre que nos diz o que fazer, que nos dá conselhos, que nos quer educar e guiar, e que nisso repousa toda sua bondade, e que para sermos um dos seus, teremos que aderir a seus valores, aceitar seus pressupostos, ser enfim, em nossa exteriorização, iguais uns aos outros.

Já a imagem do aquário me faz lembrar desde um daqueles pequenos aquários redondinhos de vidro que muitas crianças gostam de ter na sala, até o imenso oceano. Vejo o aquário como o receptáculo de toda aquela água e todos aqueles peixes fluindo em seus tantos cardumes.

Então, quando penso nisso, vem à mente que a era de aquário abarca não só todos os possíveis cardumes vividos na era de peixes, mas também todo o meio que os produziu – cultura, história, tradições e revelações. Abarca mas vai além. Permite uma interface com um outro meio totalmente diferente, até dimensionalmente diferente, mais leve e arisco: o ar.

Claro que poderemos perceber inteligentemente que o ar para nós nada mais é que a água para os peixes: um meio onde estamos imersos e nele fluímos. Mas nesta visão das metáforas fundamentais, podemos perceber que o meio aéreo é mais leve e mais sutil que o aquoso, e é dele que vamos ao vácuo (ou éter, akasha) do meio cósmico.

Não deve ser por outro motivo que aquário é signo do ar, e proposto ao universal, ao cósmico, ao estrelar. Aquário está pronto para dar um salto e voar pelas estrelas e galáxias, muito além do “mundinho” dos cardumes de peixes imersos no meio que lhe é próprio e assim considerado seu único possível.

Se antes cada um de nós era um peixe vivendo num cardume, agora todos somos o todo, um aquário de cardumes, água e mar, e isto quebra completamente o paradigma do que conhecíamos na era de peixes como “mestres”.

Havia uma clara hierarquização e ascendência dos mestres em relação a seus neófitos, discípulos etc, que hoje, dentro destes parâmetros novos, percebo que ficarão dia a dia mais anacrônicos e sem sentido.

Veja que esta ascendência é própria da imaturidade. Algo como se sempre fôssemos crianças pequenas, sem estrutura para nos guiarmos e assumirmos as responsabilidades e riscos naturais de estarmos vivos e por isso necessitando da condução e tutela de pais e mães espirituais.

 

Mas as crianças crescem e passam a viver como adultos, assumindo responsabilidades sobre si e nisso é que se tornam iguais aos pais, mesmo que desenvolvam hábitos, tendências, valores, modos de ser totalmente diferentes deles, e não raro, antagônicos.

 

A mudança de eras sinaliza que aqueles “discípulos-crianças” hoje são jovens mestres de si mesmos, que, quer queiram quer não queiram, terão de assumir os riscos e responsabilidades próprias da vida adulta espiritual e não poderão mais serem protegidos pelos seus velhos tutores, gurus, professores, cuidadores, pais e mães espirituais.

Vejo por esta via também que não há mais legitimidade em alguém arrogar-se o papel de condutor que os mestres da era de peixes tinham. Alguém que se diga, por exemplo, “canalizador” de uma verdade qualquer não adquire por este dom a legitimidade de ser mestre de quem quer que seja, pois hoje todos somos – ou temos de ser – canais e canalizadores da verdade. A situação ainda mais se agrava quando estes mestres querem iniciar discípulos, ou seja, estão repetindo o velhíssimo padrão de formar cardumes de iguais exteriormente/desiguais interiormente. Cardumes hierarquizados e padronizados, tutelados por um cuidador, pastor, ou qualquer coisa que o valha.

Quero lembrar que Henrique José de Souza foi um mestre que, mesmo preparando terreno para a Era de Aquário, ainda viveu predominantemente na Era de Peixes, e por isso muitas vezes tangia cardumes. Mas ele mesmo reconheceu em diversos momentos que aquela era a última “chance” daqueles “cardumes”. E dizia mais, que aquele era o tempo em que se encerrava o mistério do Graal, onde a divindade (presente nos mais diversos seres) se dá em sacrifício pelos homens. Agora os homens devem iluminarem-se a si mesmos: verdade, liberdade, responsabilidade.

Assim, a antiga iniciação que ele prescrevia não tem mais qualquer razão de ser na era de aquário. Nem a dele nem a de ninguém. Assistimos todos os dias nascerem novos ritos e respectivas “iniciações” e algumas pagas a preços bastante “iluminados”, inclusive.

Se por iniciação estivermos entendendo a adesão a certo grupo, prática ou rito, estaremos falando das vetustas tradições de peixes, baseadas em laços medievais de suserania e vassalagem, que mesmo que sejam ainda praticadas no Tibet, na Maçonaria, ou dentro do movimento eubiótico, não têm nenhuma função frente a um novo mundo composto de seres aquarianos, cada qual inteiro em si mesmo, canalizador insubstituível da verdade, exteriorizador de um especial modo de ser da Vida, e de uma consciência da verdade e da espiritualidade únicas.

Quanto mais avançamos nas constantes derivações da vida planetária, mais esta vida torna-se livre e rigorosa. A liberdade é perigosa, cheia de riscos, e chama nossa consciência para a berlinda dos múltiplos caminhos que nossos pés podem seguir. O rigor aumenta, temos de clarear nossos destinos, não temos mais um repositório pronto de respostas para tudo, nem um cardume de “irmãos-iguais” para simplesmente fecharmos os olhos e seguirmos no fluxo da turma. Não temos mais a segurança e a paz das conclusões válidas para sempre, mas somos chamados pela vida a agora, de fato e livres, viver.

Neste viver, cada um de nós-aquário irá enriquecendo dia após dia seu cadinho (outra boa metáfora aquariana), revolvendo os ingredientes, preparando minuto a minuto e para sempre o próprio alimento espiritual, o próprio licor da imortalidade, que sim, se não for bem preparado poderá matar, mas se houver sucesso certamente libertará.

Quando nos olharmos nos espelhos de nossas reflexões veremos alguém que é de fato o Jesus, o Buda, o S. German, de si mesmo. E quando olharmos ao redor, inclusive dentro da própria casa, não veremos outros iguaizinhos a nós, reflexos de nós mesmos – nem nossos filhos, nem nossa esposa, marido, companheiro(a) – veremos sim outros mestres de si mesmos, não tutelados por ninguém que não seja sua própria consciência, não necessitados de cuidados espirituais de quem quer que seja, mas cada dia mais aptos a viver a vida com independência e liberdade.

Evidente que entre adultos mestres de si mesmos haverá sempre a troca, a discussão e o debate, em uma palavra: o diálogo. São os vários aquários das mais diversas multiplicidades de ideias, estabelecendo relações dialógicas entre si, trocando experiências, compartilhando consciência uns com os outros, agora sim, na fraternidade dos iguais, que no entanto, ostentam como uma vitória, suas enriquecedoras diferenças.

A unidade-cardume dá lugar à constante interação dos em união consigo mesmos, dos portadores da gestalt aquariana estabelecida pela consciente e constante auto-construção.

E não haverá sempre aqueles que “sabem mais”?

Penso que não. Sempre haverá aqueles que “sabem diferente”. Mesmo que as diferenças, quando buriladas umas com as outras tendem a mostrar a essência de sua igualdade, a verdade única, e até o Deus Único, manifestando-se criativamente na mais rica multiplicidade. Mesmo o velho e sábio guru, com o qual eu vou gostar muito de trocar e partilhar “figurinhas”, terá sempre a sua vivência, o seu momento, os seus caminhos, e estes serão diferentes dos meus.

Certamente os verdadeiros “mestres” de aquário irão ter tanto prazer em absorver as experiências da mais inexperiente criança quanto nós o teremos em saborear suas tantas e tão ricas aventuras.

Neste estado de coisas, como serão Mitradeva e Apavanadeva, os avataras de aquário?

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Comentários

Nome: Manuel

Comentado em: 24/01/2012 12:42

Entendo a sua colocação sobre os "Mestres" de Aquário; porém creio que tudo o que foi dito ainda levará algumas centenas ou milhares de anos, pois estamos na fase de transição entre uma era e outra. Nada acontece da noite para o dia, como ligar um simples interruptor. Precisamos,sim, e ainda do "velho" esquema de iniciação que voce comentou; pois a grande maioria da humanidade ainda não tem a condição necessária para aquele estado de consciência aquariana. Estamos no início da transição, não podemos nos esquecer disso e querer antecipar as coisas. Tudo no seu devido tempo.

Reposta

A natureza ensina sobre isso: a manhã se anuncia por um longo período de transição entre a noite, que continuamente vai clareando, e o dia que chega. Mas há o momento em que o Sol nasce, mudança estrutural que se faz num instante, e num estalar de dedos faz existir inteiro o novo ciclo. Aí já não há lugar para as coisas da noite. Mesmo que alguém queira ainda dormir, já é hora mesmo sim de acordar. Quem estiver de acordo com o ciclo, ou querer ajudar aos outros a estarem, não vai mais querer ninar com os sonhos da noite aos que precisam abrir os olhos para a realidade do amanhecer.

 

Nome: Manuel

Comentado em: 26/01/2012 13:01

Alexandre, Agradeço sua resposta e considerei muito oportuna e feliz a sua analogia com a natureza. O difícil é ter a necessária claridade de consciência para perceber as mudanças de paradigmas e crermos que o novo papel que estamos assumindo é o correto frente à nova realidade que se apresenta. Mas com certeza esse deverá ser o caminho. Esse seu texto sobre os "Mestres da Era de Aquário" me lembrou em muito o filme "Hair", sucesso da década de 70, no que diz respeito a liberdade do ser humano.

 

Nome: Luiza

Comentado em: 28/01/2012 21:16

Gostei muito e obrigado pela dedicação e empenho quanto a esclarecimentos tão necessários como esses e boas palavras Parabéns... a todos

 

Nome: Isabela Ferreira de Azevedo

Comentado em: 05/02/2012 12:54

A Era de Peixes teve os preciosos santos, seres dedicados ao seus irmãos, muitas vezes colocando eles mesmos à incompreensão, ao martírio. Peixes e Aquário servem à humanidade, transcendem as limitações, as aparências, mas Peixes é Bakti, Devoção. Porém, se formos pesquisar e até constatar no nosso plano... Nem a Era Pisciana se firmou na consciência humana. A antiquíssima, ultrapassada e violenta Era de Áries persistiu durante 2000 anos, e ainda deixou ranço agora. Apego à infância, aos impulsos, às hierarquias rigidamente formadas e que não se relacionam muito entre si. A Era passada foi muito complacente, aiás... Quem são as eras? Os seres humanos! E infelizmente, nós tendemos muito ao atraso evolucional: Parece que a Era Pisciana está se desenvolvendo, quando a aquariana TAMBÉM JÁ VOGA. Vê-se o devocionalismo, a idolatria... A entrega e rendição à outra pessoa. É como a culpa em relação à cadeia lunar: Para compensar, acharam que deveriam completar evoluções lunares aqui na Terra, ao invés de nós passarmos a outros estágios da consciência. No íntimo, só há desespero, recalques e apego ao passado no coração e na mente dos nirmanakayas da sombra. Gostaria tanto que eles vivenciassem a Terra! Recuperariam a dignidade, o respeito por eles mesmos e por todos seus irmãos.

 

Nome: Isabela Ferreira de Azevedo

Comentado em: 05/02/2012 15:31

E para tudo isso, uma palavra libertadora: Confiança, sem a sombra do dogma. Confiança no ser humano.

 

Nome: Marcio Bontempo

Comentado em: 06/02/2012 13:08

Excelente reflexão. Muito lúcida e oportuna.

 

Nome: Helio ap. Neves

Comentado em: 08/05/2012 10:01

Temos que ter o connhecimmento iniciatico como alicerce mas avivencia e livre ecom verdade liberdade e responsabilidade.

 

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