Carta Celeste

Não julgueis que estou louco. A loucura é um estado de Consciência em que a Mente se coloca. Se esta se sai bem, sobe mais um ponto e a loucura passa a ser realidade. Em caso contrário, a Mente fica no mesmo lugar e o homem ri, de si mesmo, rindo dos demais. - JHS

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

Deus voltou à ciência? O Princípio Antrópico.

Publicado em 30/12/2009 17:10 e Atualizado em: 30/12/2009 17:10

Se você está acompanhando todo o desenrolar desta conversa – que nasceu da simples e enigmática frase “do Uno-Trino nasceram os sete Auto-Gerados” – já deve ter percebido, a esta altura, que ela possui mesmo um mar de profundos ensinamentos, apesar de toda sua aparente simplicidade.

Talvez, inclusive, somente hoje podemos ter uma visão mais concreta e efetiva destes ensinamentos, devido aos avanços culturais que a ciência atual, ‘pós-moderna’ e sistêmica, está nos proporcionando.

No primeiro passo destes comentários tentei descrever – mesmo que de forma extremamente simplificada – a estrutura básica do processo de auto-organização presente na natureza.

Por esta pequena amostra, que é só o básico do processo todo, você talvez já tenha percebido o quanto é de fato convincente a sua idéia fundamental: não precisamos de ninguém, de nenhum poder central organizador, para compreender em seus mínimos detalhes toda a ordem e beleza presentes na natureza (o que inclui a cada um de nós).

Diante de pressupostos amplamente prováveis e extremamente simples hoje se pode compreender todo o processo que deu origem a este mundo que existe ao nosso redor e dentro de cada um de nós.

Simples elementos ligados em rede (que podem ser átomos, moléculas, vesículas de gordura, bactérias, células, vegetais, animais, homens, etc) perpassados por um fluxo constante de energia e matéria, fazem emergir padrões de auto-organização das próprias relações entre eles, dando origem a organismos vivos.

A aleatoriedade dos processos concebidos por Darwin – uma das principais características de sua teoria – com todo o desconforto que ela causava, pois era muito menos racional que a própria idéia de um “Deus Criador”, foi completamente contornada.

Não precisamos mais recorrer a um mero jogo de azar para explicar a origem da vida na Terra. Ou pelo menos tal jogo hoje se mostra restrito a certos momentos, em processos específicos, onde ele é aceitável e racional.

Em resumo, tudo isto nos leva a uma profunda desnecessidade de Deus.

Mas será que é assim mesmo? Vamos agora acrescentar mais dados a esta conversa.

O que eu vou lhe apresentar a seguir vem do livro “Hiperespaço” do físico teórico norte-americano Michio Kaku.

Este livro será muitas vezes mencionado aqui. Através dele vamos conseguir compreender melhor outras coisas importantes que estão nas cartas de JHS, como as chamadas “embocaduras” que nos ligam aos “mundos subterrâneos”, por exemplo.

A linguagem do autor é excelente. Ele está acostumado a explicar a física mais intrincada de uma maneira totalmente simples. Por isso não vejo nada mais produtivo do que simplesmente transcrever o que ele diz.

Vamos ver então se Deus foi mesmo colocado fora da jogada?

“Para ter vida no universo, você precisa de uma rara conjunção de muitas coincidências. A vida, que depende de uma variedade de reações bioquímicas complexas, pode ser facilmente inviabilizada se mudarmos algumas das constantes da química e da física por uma pequena quantidade. Por exemplo, se as constantes que governam a física nuclear fossem alteradas, mesmo ligeiramente, a nucleossíntese e a criação dos elementos pesados nas estrelas e supernovas poderiam se tornar impossíveis. Os átomos poderiam se tornar instáveis ou sua criação nas supernovas impossível. A vida depende dos elementos pesados (elementos além do ferro) para a criação do DNA e de moléculas de proteínas. Assim, a mais ligeira mudança na física nuclear tornaria impossível a produção dos elementos pesados nas estrelas. Somos filhos das estrelas; no entanto, se as leis da física nuclear mudarem o mais ligeiramente que seja, nossos “pais” tornam-se incapazes de ter “filhos” (nós). Como mais um exemplo, é seguro dizer que a criação da vida nos oceanos primitivos levou 1 bilhão a 2 bilhões de anos. No entanto, se pudéssemos de algum modo encolher o tempo de vida do próton a vários milhões de anos, a vida se tornaria impossível. Não teria havido tempo suficiente para a criação da vida partir da colisão aleatória de moléculas.”

“Em outras palavras, o próprio fato de existirmos no universo para fazer essas perguntas a respeito dele significa que uma complexa seqüência de eventos deve necessariamente ter acontecido. Significa que as constates físicas da natureza devem ter uma certa extensão de valores, de tal modo que as estrelas vivessem o suficiente para criar os elementos pesados em nossos corpos, de modo que os prótons não se desintegrassem rápido demais antes que a vida tivesse a chance de germinar, e assim por diante. Em outras palavras, a existência de seres humanos capazes de fazer perguntas sobre o universo impõe um enorme número de rígidos vínculos à física do universo – por exemplo, sua idade, sua composição química, sua temperatura, seu tamanho e seus processos físicos.”

“Numa observação sobre essas coincidências cósmicas, o físico Freeman Dyson escreveu certa vez: “Quando consideramos o universo e identificamos os muitos acidentes de física e astronomia que trabalham juntos em nosso benefício, temos quase a impressão de que o universo deve de certo modo ter sabido que nós estávamos vindo.” Isto nos leva à versão “forte” do princípio antrópico, que afirma que todas as constantes físicas do universo foram precisamente escolhidas (por Deus ou algum Ser Superior) de tal modo que a vida fosse possível em nosso universo. (...)”

“Seria concebível pensar numa sorte cega se apenas algumas constantes da natureza tivessem tido de assumir certos valores para tornar a vida possível. No entanto, revela-se que um grande conjunto de constantes físicas teve de assumir uma estreita faixa de valores para que a vida pudesse se formar no nosso universo. Uma vez que acidentes desse tipo são extremamente improváveis, talvez uma inteligência divina (Deus) tenha escolhido valores precisamente para criar a vida” (pág. 279 – Hiperespaço – Michio Kaku).

Impressionante, não?

Pois de fato é isto o que ocorre.

Todo aquele processo de “auto-organização” necessita de leis físicas milimetricamente reguladas para ocorrer. Uma mínima variação em qualquer das centenas de variáveis envolvidas colocaria todo este edifício de vida imediatamente no chão.

Acertar em cheio em um alvo tão pequeno, usando apenas a sorte? Isto parece uma idéia completamente irracional. Seríamos – a existência de todos nós – uma completa improbabilidade matemática. Um em um bilhão, para estarmos aqui hoje.

Mas o fato é que estamos. E colocando as coisas desta maneira, realmente, ao que parece o Universo sabia que estávamos vindo. Ele nos queria aqui, agora. Ou seja, seríamos mesmo frutos de uma vontade. E uma vontade necessariamente só poderia nascer de alguém: Deus.

A ausência de um Deus regulando as leis da física, e outras tantas aparentes “coincidências” se tornou para muitos uma comprovada irracionalidade. Este é o chamado princípio antrópico, em sua versão forte: estamos aqui agora por que Deus quis. Foi ele quem regulou todas as coisas para que existíssemos. Ele nos queria aqui. Ele nos aguardava.

Mas lembra daquele físico genial que escreveu “Uma breve história do tempo”, Stephen Hawking? Então. Ele deu outra explicação também razoável, e que conduziu ao chamado princípio antrópico “fraco”. Nas palavras de Steven Weinberg (ganhador de um prêmio Nobel), “este mundo é da maneira como é, pelo menos em parte, porque de outro modo não haveria ninguém para perguntar como ele é da maneira como é.”

Essa frase é bastante engraçada, com certeza. Não deixa de ser um sofisma, ou seja, um raciocínio que tem uma lógica convincente, mas que não diz nada. É como dizer que o “céu é azul porque ele não é de outra cor”.

Apesar de ter sido colocada desta maneira redundante, a teoria de Hawking é muito importante e me parece necessária para que possamos caminhar mais neste assunto. Novamente haverá uma forma de se compreender tudo sem a necessidade de um controle central.

Trata-se do que ele chama de “Função de Onda do Universo”, nosso próximo tema.

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Comentários

Nome: Ana Matilde

Comentado em: 24/03/2010 15:48

Tem continuação? Onde? Obrigada.

Reposta

Olá Ana! Ainda estou escrevendo a continuação, mas vai dar neste diagrama aqui: http://www.cartaceleste.com.br/index.php?id=galimagens&&dir=autogerados&&paginacao=4 Um grande abraço!

 

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