Carta Celeste

O verdadeiro discípulo é aquele que não procura ver os defeitos alheios, mas os seus próprios. - Henrique José de Souza

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

Nosso meio-ambiente: agradeça às bactérias!

Publicado em 30/12/2009 17:00 e Atualizado em: 30/12/2009 17:00

TERCEIRO MOMENTO DA AUTO-ORGANIZAÇÃO DA VIDA

Como você viu, quando as macromoléculas nasceram dentro daquelas simples redes químicas limitadas por membranas de lipídios – as vesículas ou micélulas – e foram capazes de guardar uma “memória biológica”, aquelas pequenas “bolhas” de gordura adquiriram todas as características básicas das células bacterianas de hoje em dia.

A capacidade de guardar em um código molecular informações úteis para a hora de se formar os metabolismos interiores daqueles seres primitivos, trouxe a capacidade de a reprodução ocorrer com alto grau de fidelidade e rapidez extraordinária.

A vida encontrou então um terreno imensamente fértil para se desenvolver em toda a sua plenitude.

Logo as bactérias teceram uma imensa rede planetária, construindo e ocupando todos os sistemas ecológicos e preparando o caminho para formas superiores de vida.

O ambiente, no entanto, era no início extremamente hostil: luz solar muito forte, impactos de meteoritos, erupções vulcânicas, secas e inundações constantes. Crises e mais crises que eliminavam grandes quantidades de vida do planeta.

As bactérias só tiveram sucesso e sobreviveram devido a três características fundamentais:

Em primeiro lugar, a capacidade extraordinária de multiplicação. Graças a isto, para o universo das bactérias podemos realmente acreditar que o elemento principal da teoria neodarwiniana – mutações aleatórias de genes – tenha funcionado bem em resolver problemas de adaptação.

Uma mutação benéfica é algo raríssimo de ocorrer. Mas como as bactérias se reproduzem em velocidade incrível, quando ocorrer uma mutação útil, a novidade rapidamente se espalha pelas gerações seguintes e a solução logo fica disponível para todas as bactérias.

Além da rapidez reprodutiva, uma segunda característica, também própria do mundo das bactérias tornou ainda mais eficaz estas mutações positivas: a sua rede de DNA.

Descobriu-se recentemente que as bactérias são capazes de, em vida, trocar livremente pedaços inteiros de DNA entre si. Na verdade, hoje se sabe que existe uma verdadeira rede global de intercâmbio, altamente eficaz, e que muitas bactérias chegam a trocar até quinze por cento de todo o seu material genético, todos os dias.

Lynn Margulis explica assim (Fritjof Capra, As Conexões Ocultas, p. 45.):

“Quando uma bactéria se vê ameaçada, ela espalha pelo ambiente o seu DNA, e todas as que estão em torno o recolhem; num período de poucos meses, ele se espalha pelo mundo inteiro.”

Trata-se de uma verdadeira rede global de comunicações, que tornou as bactérias extremamente eficientes em se adaptar e acumular os sucessos de suas adaptações.

Foi desta forma que elas inventaram todas as biotecnologias essenciais à vida, como a fermentação, a fotossíntese, a fixação do nitrogênio – que fez surgir as proteínas – a respiração e formas de locomoção rápida, entre muitos outros exemplos.

Neste processo, no final do primeiro bilhão de anos depois que emergiram das micélulas, as bactérias já tinham dominado a Terra e, preenchendo quase todos os espaços com seus processos metabólicos, foram construindo os processos globais que regulam a vida no planeta até hoje.

São elas as verdadeiras responsáveis pela construção de todo o nosso meio ambiente, assim tão propício à vida.

Nossa agradável atmosfera, por exemplo, com sua bem balanceada composição química, é uma herança que devemos às minúsculas bactérias e seus sucessivos sucessos metabólicos.

Mas não pense que foi fácil.

Estas pequenas formas de vida tiveram que vencer enormes desafios. Um deles – talvez o mais marcante – foi a chamada “crise do oxigênio” que ocorreu logo que a fotossíntese moderna (produtora de oxigênio) se espalhou pela Terra.

Quando surgiu a fotossíntese, que hoje alimenta todas as plantas com sua energia, uma enorme massa de oxigênio rapidamente foi lançada em nossa atmosfera. Em pouco tempo toda a vida estaria liquidada, já que uma concentração deste gás acima de certos níveis fariam ocorrer incêndios espontâneos por toda a parte. Não é o oxigênio o gás que alimenta o fogo?

Pois é: as bactérias tiveram muito pouco tempo para desenvolver uma solução para todo aquele oxigênio.

E a solução veio rápida e eficiente: a respiração. Do “nada” surgiu este processo metabólico altamente complexo e novidade completa para aqueles tempos.

A solução foi tão eficaz que além de usar exatamente o subproduto “tóxico” da fotossíntese (o oxigênio), gerava por sua vez, como um subproduto seu, justamente o gás carbono, que é necessário à mesma fotossíntese.

Algo tão extraordinário que muitos se questionam – e com toda a razão – se a própria Terra em si não funcionou como um ser auto-consciente desde aquele momento, reagindo eficientemente a problemas, e criando soluções “através” das bactérias.

O fato é que nossa história é pontilhada por sucessos extraordinários como este.

Hoje se sabe que desde o momento em que a vida se instalou em nosso planeta, por mais sérias que fossem as várias crises que a colocaram em risco, ela nunca mais nos deixou. Não houve a necessidade de vários começos, após seguidos fracassos.

A vida conseguiu, de primeira.

A nossa atmosfera se formou a partir daí, com a respiração – recém criada – estabilizando as taxas de dióxido de carbono e oxigênio no ar num ciclo de proporções planetárias.

E em índices perfeitos: nem oxigênio de menos (o que impediria qualquer forma de combustão), nem demais (o que faria qualquer coisa pegar fogo); nem carbono demais (que aqueceria demasiadamente o planeta), nem de menos (que o deixaria completamente frio).

E além disto, gradualmente, se formou uma camada de ozônio (moléculas com três átomos de oxigênio), protegendo a todos nós dos até então fatais raios ultravioletas. Outro problemão resolvido pelas (ou através das) bactérias.

Até aqui, falamos sobre duas das três características fundamentais das bactérias.

A terceira, entretanto, não é exclusiva delas. Ao contrário, foi exatamente o que fez a vida emergir do seu reino microscópico e aparecer em uma riqueza incrível de seres multicelulares (incluindo nós).

Falo da simbiogênese: “a criação de novas formas de vida através de arranjos simbióticos permanentes”.

Tudo indica que este foi o principal caminho para a formação de todos os organismos superiores. Mas aí já estamos entrando no quarto momento da auto-organização da vida na Terra: a simbiose.

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