Carta Celeste

Semeie um pensamento, colherá um fato; semeie um fato e terá um hábito; semeie um hábito e formará um caráter; semeie um caráter e obterá um destino. - Parafraseando Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Azul e Vermelho Azul e Vermelho
Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

Com a membrana celular, a transição para a vida.

Publicado em 30/12/2009 16:56 e Atualizado em: 30/12/2009 16:56

Quando eu estava no colégio, lembro-me de ter colocado um tímido professor de biologia em estado de fúria ao contestar sem dó aquela parte de sua matéria que diz que toda a vida surgiu de uma sopa química primordial, onde moléculas de gordura, proteínas, açúcares, foram aleatoriamente se formando e se combinando a partir de eventos extraordinários, como descargas elétricas ou quedas de meteoritos, por exemplo.

Ele dizia que “estava tudo comprovado”. Para ele as complexas cadeias de DNA, as bactérias, as células animais e vegetais, tudo enfim tinha nascido deste jeito, quase num passe de mágica, ou no mínimo num enorme golpe de sorte!

Era só ficar chacoalhando átomos no oceano, jogar lá uns raios e meteoros, e depois de muito tempo as coisas iam acabar se encaixando perfeitamente.

Quanto tempo levaria para um rádio se formar se suas peças fossem chacoalhadas em uma caixa?

Bom, o meu professor dizia que em laboratório já se teria conseguido refazer todo este processo.

Mas eu não me contentava com estas “comprovações” e questionava com veemência: “como se pode comparar um minúsculo ambiente de um laboratório ao oceano que dominava quase toda a superfície da Terra”. Ou seja, eu defendia então que num espaço tão grande eram mínimas as possibilidades de ocorrer todas aquelas conexões necessárias à vida, criando elementos químicos altamente complexos, unindo-os em células e bactérias, tudo baseado em fatos tão esporádicos quanto trovões ou meteoritos.

Por mais numerosos que fosse esta chuva de meteoros e trovões, simplesmente não dava para acreditar nisso! Faltava alguma coisa. E alguma coisa fundamental.

Lembro do professor defendendo heroicamente a “sua ciência” e eu o contestando cruelmente, até ele sair da classe furioso, prometendo nunca mais voltar.

A classe inteira ficou contra mim. Meus colegas achavam um absurdo completo contestar uma matéria destas em aula... Tempos de fim de ditadura. Mentes ainda entorpecidas pela autoridade vã, que não precisa fundamentar: para a autoridade basta dizer, e a gente apenas tem que aceitar, por obrigação.

Foi reconfortante, então, ler no livro “As Conexões Ocultas” (pág. 36) que “a probabilidade de uma tal evolução pré-biótica ter ocorrido é mínima”.

De fato, o problema todo sempre se resumiu a uma coisa bem simples: espaço demais.

No espaço imenso de um oceano é extremamente improvável que existam condições de construir os elementos químicos necessários à formação da vida. A complexidade pode até ir crescendo, sim, de forma auto-organizada, como se sabe hoje em dia. Mas bastaria acontecer qualquer coisa “errada” e todas aquelas preciosas moléculas, tão arduamente construídas, seria destruídas. Tudo voltaria facilmente à estaca zero. E veja que “coisa errada” num ambiente hostil como aquele do início da história do planeta, e para simples e microscópicas moléculas, não significa algo muito improvável.

Sem dúvida, para que surgissem elementos mais complexos do que simples moléculas de glicose ou lipídios, teria de existir um compartimento “fechado” que fosse ao menos capaz de facilitar o nascimento e desenvolvimento destas e outras “pérolas” da evolução.

Somente neste micro-ambiente fechado, a auto-organização poderia ocorrer com eficiência suficiente, e reações químicas poderiam ser produzidas de forma quase dirigida, fazendo nascer uma grande quantidade e variedade de moléculas específicas, armazenando-as então para o futuro.

Se este mesmo processo tivesse que ocorrer “solto” pelo oceano seria tudo extremamente raro e improvável.

Foi exatamente isso que o meu professor não pôde compreender naquela época e que Harold Morowitz expôs de forma detalhada em seu livro “Beginnings of Cellular Life”, citado pelo Capra.

Olha só o que o Capra diz, sintetizando todo este processo:

“Segundo a hipótese de evolução pré-biótica delineada por Morowitz, as primeiras protocélulas formaram-se há cerca de 3,9 bilhões de anos, quando o planeta se resfriou, oceanos rasos e as primeiras rochas já se tinham formado e o carbono já se combinara com os outros elementos fundamentais da vida para constituir uma grande variedade de compostos químicos.”

“Dentre esses compostos havia substâncias oleosas chamadas de parafinas, que são longas cadeias de hidrocarbonetos. A interação dessas parafinas com a água e com diversos minerais nela dissolvidos deu origem aos lipídios; estes, por sua vez, condensaram-se numa diversidade de gotículas e constituíram também películas finas de uma ou duas camadas. Sob a influência da ação das ondas, as películas fecharam-se espontaneamente em vesículas, e assim começou a transição para a vida.”

E logo este novo ambiente, formado no interior destas bolhinhas de vida, passou a construir – além de uma crescente variedade de novas moléculas – também aquelas que fazem parte da membrana. Ou seja, estas vesículas (“micélulas”, como dizem os cientistas) se tornaram pequenas bolhas de gordura capazes de crescer!

E mais: quando passam de um certo tamanho, as forças de estabilização da membrana já não serão mais capazes de manter a sua estrutura. O que vai acontecer então? A micélula se divide e forma duas ou mais bolhinhas menores. Ela se reproduz!

Capacidade de crescimento e de reprodução.

Aqui temos um ambiente puramente mineral fazendo, por si mesmo, a alquimia mais importante do planeta: a transição a um ambiente biológico. De fato, a simplicidade com que parece ter surgido a vida impressiona a tal ponto que parece ficção científica.

Mas lembro que este processo também foi reproduzido em laboratório. Só que agora de forma aceitável:

“Uma das equipes pioneiras nesse tipo de pesquisa é comandada por Píer Luigi Luisi, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça (ETH), em Zurique. Luisi e seus colegas conseguiram preparar ambientes muito simples, do tipo “água e sabão”, nos quais vesículas semelhantes às descritas acima são capazes de formar-se espontaneamente e, dependendo das reações químicas envolvidas, perpetuar-se, crescer e replicar-se, ou desaparecer.”

Nestes verdadeiros laboratórios da vida, as vesículas ou micélulas, foi possível um aumento drástico da complexidade molecular, preparando caminho para um outro salto: a codificação de uma “memória biológica” através de complexas “macromoléculas” que surgiriam mais a frente, os DNAs.

Após 100 milhões de anos, as vesículas de lipídios formavam as bases de um código genético, que daria condições a uma reprodução coerente e a manutenção dos sucessos evolutivos através de uma hereditariedade.

Neste ponto é que as micélulas transpuseram um outro portal. Surgiu a vida bacteriana, o terceiro momento de nossa viagem.

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Comentários

Nome: miguel ferreira mouta junior

Comentado em: 19/09/2016 20:19

Se você não admite o impossível e o improvável, então é melhor procurar um psiquiatra. Pois se o seu professor de biologia ficou nervoso com sua pergunta pouco embasada, é sinal que você vai ter que refazer mais inúmeras reencarnações até diminuir um pouco sua arrogância ( por assim dizer ). Tanto o mundo metafísico como o físico, são altamente improváveis. Se a humanidade não desaparecer, ela conseguira repetir a origem da vida sim , desde suas moléculas básicas, e até o que estiver bem mais antes. A bomba atômica e o emaranhamento quântico,provaram essa capacidade.

 

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