Carta Celeste

A chave de cada degrau é o próprio aspirante. Não é o temor a Deus que representa o começo da Sabedoria, mas o conhecimento do Eu, que é a própria Sabedoria. - Henrique José de Souza

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

A criatividade é a regra na auto-organização da vida.

Publicado em 30/12/2009 16:43 e Atualizado em: 30/12/2009 16:43

No texto “AUTO-ORGANIZAÇÃO: A ORDEM DA VIDA QUE NÃO NASCE DO CONTROLE ” você viu, ainda que de forma extremamente simplificada, o mecanismo básico de qualquer sistema auto-organizado.

Viu também no texto “AUTO-ORGANIZAÇÃO: TRÊS EXEMPLO “QUASE” MÁGICOS” como funciona mesmo – na prática – o nascimento espontâneo de ordem: padrões estáveis de ciclos de realimentação auto-construídos quando presentes as condições necessárias. Ou seja, um sistema de elementos interligados em rede, um fluxo constante de matéria e energia passando por ele, dando origem aos chamados laços de realimentação, ou de causalidade circular. Ordem que emerge naturalmente após todo o sistema passar por um ponto crítico, o “ponto de bifurcação”.

Finalmente, no texto “A DESCOBERTA DA AUTO-ORGANIZAÇÃO” você viu como auto-organização começou a ser descoberta justamente em experimentos que buscavam imitar o funcionamento básico de nosso cérebro.

Agora, antes de ver como tudo isto está presente na formação da vida na Terra, desde os primeiros átomos até os grandes organismos atuais, teremos que pensar um pouco no que foi dito, chegar a algumas conclusões, quebrar velhos paradigmas e se rebelar com certas coisas daquela velha ciência que aprendemos na escola.

E nossa vítima de hoje é Darwin.

Siga o raciocínio: dá para perceber que um processo tão espontâneo de formação de padrões, sem necessidade de nenhum controle, de “ninguém” dirigindo nada, simplesmente a partir auto-organização de elementos em rede sob o influxo constante de energia e matéria, tem realmente uma carga enorme de instabilidade.

O que quero dizer é que parece de fato muito mais racional que em um processo destes a gente vá encontrar mais desordem do que ordem. Não é mesmo? Resumindo, para uma visão mais “lógica” a ordem auto-organizada parece mais a louca exceção do que a regra sensata.

O que podemos imaginar, a primeira vista, é que bastariam pequenas alterações nas condições iniciais do sistema para que toda aquela ordem assim tão delicadamente auto-gerada simplesmente entrasse em colapso e desaparecesse.

Bom, se pensando bem você agora chegue mesmo à conclusão que a auto-organização não existe, de que é tudo balela, lembre-se que se você estiver ouvindo agora um CD ou DVD você estará diante de uma prova concreta de que a auto-organização existe mesmo: o laser.

Mas, com certeza, trata-se de algo extremamente delicado. Veja só os exemplos de auto-organização. Basta a diferença de temperatura entre a superfície e o fundo, no experimento de Bernard, por exemplo, deixar aquela faixa “crítica” e pronto: as suas lindas células desaparecem. O mesmo provavelmente poderia ser dito dos relógios químicos ou até do útil raio laser. Ou seja, estes padrões de auto-organização são instáveis e bastante sensíveis a mudanças em suas condições básicas.

Só que se temos por um lado a instabilidade natural destes sistemas auto-organizados, por outro precisamos admitir que basta existirem aquelas condições iniciais necessárias, ou seja, elementos conectados em rede e um fluxo de energia e matéria e pronto: novos padrões vão surgir.

Então veja bem. O que é constante mesmo em tudo isto é a mudança, a criatividade, o nascimento constante do novo. Ou seja, o contrário do dogmatismo e da simples repetição eterna de velhos padrões.

Assim o que é de fato sensato não é nem achar tudo isto uma loucura, nem se imaginar que esta é uma ordem assim tão certinha e imutável que somente enormes pressões possam alterá-la.

O lógico e racional é esperar por mudanças. Elas sempre virão nos sistemas auto-organizados. Mais cedo ou mais tarde.

Se você notar que a vida é o maior de todos os sistemas auto-organizados, você vai perceber que a mudança é da própria natureza da vida. Sua regra e não a exceção. Por isso é que hoje se conclui que não são necessários grandes e traumáticos eventos ambientais, por exemplo, para que haja mudanças e evolução dos seres vivos.

Quando os cientistas perceberam isto houve uma verdadeira ruptura com o pensamento básico do neodarwinismo, ou seja, as idéias de Darwin de evolução gradual somadas às descobertas de Mendel (aquele monge austríaco do experimento das ervilhas) que demonstrou a hereditariedade e a estabilidade genética, de geração a geração.

É que pelas idéias do neodarwinismo parecia que toda mudança evolutiva ocorria por pressão de alterações significativas no meio ambiente, somadas à seleção natural, numa luta constante de adaptação dos organismos ao meio em que viviam.

Deste pensamento é que veio a verdadeira praga ideológica de se achar que só os melhores sobrevivem e se reproduzem, enquanto os demais fracassam. É interessante notar como idéias como estas, que dividem tudo – inclusive as pessoas – em “vencedores” e “fracassados”, “winers or losers”, num verdadeiro fundamentalismo darwinista, tão difundidas entre as pessoas hoje em dia, e que hoje fica cada vez mais claro estar restrito ao mundo da microbiologia.

Quando nos aprofundarmos mais nesta questão, em outro texto, vamos ver que na verdade, quando falamos em organismos mais complexos do que bactérias, não é a competição o maior motor da evolução. Bem o contrário. Muito mais importante do que a competição e a luta é a cooperação duradoura entre seres vivos, em uma palavra: a simbiose. Ou seja, vamos ver as linhas básicas da chamada “simbiogênese”, de Lynn Margulis, que se sedimenta como a teoria mais racional para explicar como a vida na Terra deixou o mundo microscópico das bactérias e partiu rumo às grandes e complexas estruturas vivas de hoje.

Nem preciso dizer: tudo fundamental para se entender a EUBIOSE.

Hoje o que está ficando mais e mais claro é que, ao contrário do que os neodarwinistas pensam, as mudanças evolutivas sempre ocorrem, haja ou não uma pressão por adaptação.

E acontecem justamente por causa do que foi dito acima, ou seja, porque é muito mais fácil ocorrerem mudanças em sistemas auto-organizados, do que eles ficarem evolutivamente “parados”, como se fossem simples objetos inertes.

Em resumo, a vida tem uma tendência natural para a novidade, e, ao contrário do que pensavam os sucessores do pensamento darwinista, muitas vezes fazendo isso, são os próprios organismos vivos que mudam o seu ambiente, e não o inverso.

Você está percebendo que as clássicas teorias de evolução e adaptação foram colocadas literalmente “de cabeça para baixo” de uns anos para cá. Não deu tempo para chegar nas escolas que cursamos em nosso ensino básico ou mesmo no segundo grau. Mas agora a ciência começa a perceber o que a sabedoria oriental já dizia há milênios: as mudanças fundamentais não vêm de fora para dentro, mas, muito mais apropriadamente, de dentro para fora.

A vida vai caminhando num fio de navalha entre o equilíbrio estático e morto e a desordem completa do caos.

E nisto ela vai gerando novidades em cima de novidades, numa constante explosão de criatividade e mudanças, e assim o próprio meio ambiente vai sendo moldado, surgindo ecossistemas internos e externos, em resumo, nascendo organismos.

Uma vez que você tenha entendido isto, que a novidade é algo próprio da maneira como a vida se organiza, você terá condições de melhor entender os seus vários momentos.

E vamos ao primeiro deles: DO ÁTOMO ÀS PRIMEIRAS MOLÉCULAS DA VIDA .

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