Carta Celeste

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

A descoberta da auto-organização

Publicado em 30/12/2009 16:21 e Atualizado em: 30/12/2009 16:21

Vou mostrar agora mais um exemplo de sistema auto-organizado. Mas é um exemplo muito especial, pois, ao que parece, foi o primeiro experimento em que os cientistas puderam literalmente “ver” a auto-organização acontecendo.

Trata-se de uma réplica extremamente simplificada do cérebro humano, feita a partir de interruptores elétricos ligados em rede. O Capra, descreve isto em detalhes em seu livro “A Teia da Vida”. Vou transcrever este trecho exatamente como está no livro (pág 78/80), para que você não perca nenhum detalhe:

“Emergência da concepção de Auto-Organização”

“A concepção de auto-organização originou-se nos primeiros anos da cibernética, quando os cientistas começaram a construir modelos matemáticos que representavam a lógica inerente nas redes neurais. Em 1943, o neurocientista Warren McCulloch e o matemático Walter Pitts publicaram um artigo pioneiro intitulado “A Logical Calculos of the Ideas Immanent in Nervous Activity”, no qual mostravam que a lógica de qualquer processo fisiológico, de qualquer comportamento, pode ser transformada em regras para a construção de uma rede.”

“Em seu artigo, os autores introduziram neurônios idealizados, representando-os por elementos comutadores binários – em outras palavras, elementos que podem comutar “ligado” e “desligado” – e modelaram o sistema nervoso como redes complexas desses elementos comutadores binários. Nessa rede de McCulloch-Pitts, os nodos “ligado-desligado” estão acoplados uns com os outros de tal maneira que a atividade de cada nodo é governada pela atividade anterior de outros nodos, de acordo com alguma “regra de comutação”. Por exemplo, um nodo pode ser ligado no momento seguinte apenas se um certo número de nodos adjacentes estiverem “ligados” nesse momento. McCulloch e Pitts foram capazes de mostrar que, embora redes binárias desse tipo sejam modelos simplificados, constituem uma boa aproximação das redes embutidas no sistema nervoso.”

“Na década de 50, os cientistas começaram a construir efetivamente modelos dessas redes binárias, inclusive alguns com pequeninas lâmpadas que piscavam nos nodos. Para o seu grande espanto, descobriram que, depois de um breve tempo de bruxoleio aleatório, alguns padrões ordenados passavam a emergir na maioria das redes. Eles viram ondas de cintilações percorrerem a rede, ou observaram ciclos repetidos. Mesmo que o estado inicial da rede fosse escolhido ao acaso, depois de um certo tempo esses padrões ordenados emergiam espontaneamente, e foi essa emergência espontânea de ordem que se tornou conhecida como “auto-organização”.”

“Tão logo esse termo evocativo apareceu na literatura, os pensadores sistêmicos começaram a utilizá-lo amplamente em diferentes contextos. Ross Ashby, no seu trabalho inicial, foi provavelmente o primeiro a descrever o sistema nervoso como “auto-organizador”.”

Padrões expontâneos de auto-organização

Ou seja, o que McCulloch e Pitts fizeram foi um experimento que procurava imitar de forma simples o funcionamento do cérebro. No nosso cérebro existem aproximadamente 20 bilhões de neurônios ligados em rede, sem qualquer microprocessador central interligando a todos. Na verdade, ao contrário do que normalmente se imagina, não há no cérebro nada que se assemelhe a um computador.

O cérebro é apenas uma rede auto-organizada de neurônios, interligados por peptídeos (neurotransmissores). Sem HDs, sem microprocessadores, sem memórias RAM ou ROM, sem uma lógica pré-definida.

Naturalmente, a variedade de iterações possíveis entre os neurônios vai muito além de só um liga-desliga um do outro. Ligar e desligar um ao outro é apenas uma forma específica de relação. No cérebro temos funcionando cerca de 70 tipos de peptídeos. Resumindo: setenta forma possíveis, diferentes, de ligação entre os 20 bilhões de neurônios.

Dá para ver então que as possibilidades de inter-relacionamento em nosso cérebro são imensas. Daí se nota por que os padrões presentes em nossos cérebros, nossos pensamentos, emoções, lembranças, vão muito além de umas poucas figuras geométricas, como ocorreu nos experimentos de McCulloch e Pitts.

Ainda assim estes experimentos foram revolucionários, exatamente porque demonstram como uma simples rede, alimentada por uma fonte de energia, produz quase sempre, e por si mesma, a auto-organização. Como já disse, não existe ali, nem em nosso cérebro, qualquer microprocessador central, nada que dê ordens ao sistema, nenhum controle que dite as regras. A ordem emerge por si mesma nestes modelos.
Agora estamos prontos para fazer uma viagem realmente importante: A viagem da formação da vida em nosso planeta.

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