Carta Celeste

A moral pertence à Alma e, sem ela, o Espírito ou a Verdadeira Consciência jamais se manifestará no homem. - Henrique José de Souza

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

Três exemplos "quase" mágicos de auto-organização

Publicado em 30/12/2009 16:17 e Atualizado em: 30/12/2009 16:17

Vamos mostrar agora para você três exemplos extraordinários de auto-organização, que retiramos do livro “A Teia da Vida” , do Capra.

O primeiro são as chamadas células Bérnard, ou, mais tecnicamente “Modelo de Instabilidade de Bérnard”:

“No começo do século, o físico francês Henri Bérnard descobriu que o aquecimento de uma fina camada de líquido pode resultar em estruturas estranhamente ordenadas. Quando o líquido é uniformemente aquecido a partir de baixo, é estabelecido um fluxo térmico constante que se move do fundo para o topo. O próprio líquido permanece em repouso, e o calor é transferido apenas por condução. No entanto, quando a diferença de temperatura entre as superfícies do topo e do fundo atinge um certo valor crítico, o fluxo térmico é substituído pela convecção térmica, na qual o calor é transferido pelo movimento coerente de um grande número de moléculas. A essa altura, emerge um extraordinário padrão ordenado de células hexagonais (“favo de mel”), no qual o líquido aquecido sobe através dos centros das células, enquanto o líquido mais frio desce para o fundo ao longo das paredes das células.” (Fritjof Capra, A Teia da Vida, p. 80.)

Células Bérnard
CÉLULAS BÉRNARD

E veja: se existirem aquelas condições descritas pelo autor, estes padrões surgem espontaneamente, e vão ficar assim enquanto forem mantidas estas condições, ou seja, um fluxo constante de calor no sistema. Lembre-se calor nada mais é que energia.

Para surgirem estes desenhos, bilhões de moléculas devem estar em um movimento perfeito, milimetricamente ordenado. Fica a pergunta: “quem” é que organiza esta enorme “multidão” de moléculas? Seríamos capazes de ordenar bilhões de pessoas num movimento assim tão perfeito? Pois é, a natureza faz isso por si mesma, sem ninguém controlando nada.

Outro exemplo incrível de auto-organização são os chamados relógios químicos:

“São reações afastadas do equilíbrio químico, que produzem notáveis oscilações periódicas. Por exemplo, se houver dois tipos de moléculas na reação, uma “vermelha” e a outra “azul”, o sistema será totalmente azul a uma certa altura; em seguida, abruptamente, mudará sua cor para o vermelho; então, novamente para o azul; e assim por diante, em intervalos regulares. (...) Para mudar subitamente de cor, o sistema químico tem de atuar como um todo, produzindo um alto grau de ordem graças à atividade coerente de bilhões de moléculas.” (Fritjof Capra, A Teia da Vida, p. 82.)

Esta experiência é chamada de “relógio” porque além de mais uma vez se tratar de uma incrível capacidade de coordenação de bilhões de moléculas, as mudanças de cor são tão regulares que dá até para medir o tempo!

E veja que em todos estes exemplos, em que o grau de auto-organização é tão grande, não existe nada além daquilo que descrevemos em “A ordem da vida que não nasce do controle”, ou seja:

1) um sistema de elementos interligados em rede;
2) um fluxo constante de matéria e energia passando por este sistema.

Tudo isto dando origem:

a) aos laços de realimentação, ou de causalidade circular;
b) à formação de padrões de auto-organização, após o sistema passar pelos chamados pontos de bifurcação.

Em resumo, “estruturas dissipativas afastadas do equilíbrio”, de onde surgem espontaneamente padrões de auto-organização.

Finalmente, o terceiro e mais significativo exemplo: o raio laser.

Laser nada mais é do que luz, só que em perfeito ordenamento de fase e de cor. É que a luz, normalmente, se espalha por todos os lados e emite uma série desordenada de ondas, sem qualquer sincronia nem quanto ao sobe e desce delas (fase) nem quanto à sua freqüência (cor). Normalmente as suas ondas não estão entrosadas em um movimento único.

No laser não. As ondas luminosas que formam suas partículas, os fótons, têm que caminhar como soldados de uma tropa, em perfeita “ordem unida”, num mesmo ritmo e numa mesma direção. Todo mundo pulsando igualzinho, exatamente como fazem os soldados num desfile militar.

Mas quem coloca estas zilhões de partículas em um movimento perfeito?

Nada! elas mesmas se auto-organizam quando presentes as condições necessárias:

“...embora o laser precise ser bombeado energeticamente a partir do exterior, a fim de permanecer num estado afastado do equilíbrio, a coordenação das emissões é efetuada pela própria luz de laser; trata-se de um processo de auto-organização.” (Fritjof Capra, A Teia da Vida, p. 84.)

Só para completar, é legal dizer que foi o cientista Ilya Prigogine, um químico russo, quem procurou entender como este padrão auto-organizado surge nestes e em muitos outros experimentos de estruturas dissipativas. Isto na década de 60. Ou seja, muito tempo depois de o laser, por exemplo, já ter sido “inventado” e largamente utilizado.

Foi ele quem acabou descobrindo que a chave deste misterioso processo natural é mesmo algo que poderia ser chamado de “não-lineridade”, ou seja, a presença, em rede, dos chamados laços de realimentação contínua, ou de causalidade circular.

Veja agora um experimento que revolucionou para sempre a forma como a ciência vê a natureza: A DESCOBERTA DA AUTO-ORGANIZAÇÃO.

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