Carta Celeste

A malícia é a criadora da censura. - Henrique José de Souza

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Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Autogerados: Vontade de Deus que se realiza por si mesma

AUTO-ORGANIZAÇÃO: A ordem da vida não nasce do controle.

Publicado em 30/12/2009 14:24 e Atualizado em: 30/12/2009 14:24

Quando nos deparamos com uma bela paisagem, ou com as harmoniosas linhas de uma linda flor, suas cores e aromas, ou mesmo quando nos aprofundamos no modo como se interligam minuciosamente todas as formas de vida de um ecossistema, a nossa mente logo é levada a pensar que tudo isto é assim tão belo e perfeito por que “alguém” colocou tudo lá, na mais perfeita ordem.

Somos então seduzidos pela ideia de um Deus criador que exerce controle direto sobre tudo e que somente assim uma natureza tão maravilhosa poderia ter surgido.

Mas não.

Hoje já se conhece, com muitos detalhes, como a natureza pôde se auto-organizar, desde os primeiro organismos unicelulares até o mais complexos seres vivos. Já se sabe, por exemplo, como um conjunto de 20 bilhões de neurônios, sem qualquer controle central, é capaz de gerar nossos pensamentos, nossa consciência, nossas emoções e percepções em geral.

O fenômeno básico que ocorre em todos estes exemplos, do cérebro ao ecossistema, vem expresso – não por coincidência – em termos muito semelhantes aos do Livro de Dzyan: “auto-organização”.

Para um mais detalhado estudo neste campo da auto-organização sugiro o livro “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas”, ambos de Fritjof Capra. Baseado nestes livros, vou colocar aqui, em síntese, o mecanismo básico deste processo no qual a vida conseguiu e consegue até hoje se organizar a si mesma.

A vida se auto-organiza, sem ninguém que faça isso para ela, quando coexistem dois requisitos fundamentais:

1) um sistema de elementos interligados em rede;
2) um fluxo constante de matéria e energia passando por este sistema;

Vão surgir então, espontaneamente, na maioria dos casos:

a) os chamados laços de realimentação, ou de causalidade circular;
b) a formação de padrões de realimentação estáveis, que emergem após a passagem do sistema todo através dos chamados pontos de bifurcação.

Estado de fluxo gera a auto-organização

Estes elementos em rede podem ser qualquer “coisa”. Podem ser desde átomos (como o carbono), moléculas (como as proteínas), seres unicelulares (como as bactérias), até organismos complexos (como inúmeras espécies de plantas e animais), formando ecossistemas inteiros ou mesmo o nosso próprio cérebro.

A “rede” se forma por qualquer maneira de iteração entre os elementos. Pode se tratar da iteração de forças atômicas ou gravitacionais, podem ser iterações químicas, como ocorre entre os seres unicelulares ou nos neurônios de nosso cérebro, iterações simbióticas, que veremos ser o mais provável mecanismo de construção dos chamados organismos “superiores” ou pluriceluares, indo até mesmo aos canais mais complexos de iteração, como a linguagem, a cultura, etc, no caso da sociedade humana.

De qualquer forma, estas ligações entre os elementos vai conectá-los em rede, ou seja, vai construir o substrato básico daquilo que podemos chamar de sistema.

A coisa toda acontece quando um fluxo constante de energia e/ou de matéria começa a passar por este sistema. Este fluxo vai desequilibrar o sistema, vai gerar uma perturbação constante nele. Em outras palavras, vai gerar “entropia” que é a mesma coisa que desordem, desequilíbrio.

Como os elementos estão conectados, tendem a buscar o equilíbrio, mas este fluxo de energia desestabiliza a relação entre eles, gera desarmonia.

Além de desequilibrar, o fluxo também vai dinamizar as coisas ali. Vai acelerar (ou até mesmo gerar) processos de iteração entre os elementos.

É aí que o drama da auto-organização chega ao seu clímax: quando esta dinamização chegar a um grau crítico, o sistema inteiro vai entrar em um “ponto de bifurcação”. É um momento breve em que duas coisas podem acontecer. Ou o sistema se autodestrói, por não ter sido capaz de suportar todo aquele desequilíbrio, ou dele irão brotar espontaneamente padrões estáveis de iteração entre os elementos. É viver ou morrer. Se não houver a autodestruição do sistema, será o momento do “parto” autogerado de padrões que então se tornarão estáveis e não voltarão mais à antiga situação.

A autodestruição, ou uma verdadeira nova era para todo aquele sistema.
E na maioria das vezes são novos padrões que se formam. Na verdade, nada mais do que iterações estáveis entre elementos, laços fechados de realimentação. Um elemento aciona outro, este um terceiro, o terceiro um quarto e assim por diante até o último fechar o laço, acionando o primeiro, já numa nova sequência de iterações do ciclo.

São padrões de realimentação como este que formam os elementos básicos da vida, como por exemplo as membranas celulares e as cadeias de proteínas.

O fluxo de energia então passa a ser o “alimento” destes padrões que emergiram do ponto de bifurcação. E enquanto houver tal fluxo, o sistema inteiro jamais vai voltar atrás, terá mudado para sempre.

A este sistema auto-organizado é que os cientistas dão o nome de “estrutura dissipativa afastada do equilíbrio”:

estrutura = elementos em rede (sistema)

dissipativa = presença de um fluxo de energia / matéria

afastada do equilíbrio = elementos não inertes, em iteração constante uns com os outros

Nestas condições, na maioria das vezes, surgem espontaneamente padrões de auto-organização

Tudo na natureza, hoje se sabe, provavelmente surgiu assim. Desde as primeiras cadeias de carbono, formando açúcares e proteínas, até os complexos ecossistemas, tudo isto se formou simplesmente pela ação deste processo de auto-organização.

Veja que até aqui podemos entender todo este processo sem qualquer necessidade de uma consciência exterior que esteja nos controles das coisas. Ao que tudo indica, de fato, na natureza não há necessidade nenhuma de um poder ou controle supremo ou “central”.

No entanto, já num segundo passo neste assunto, vamos contradizer um pouco isso. Vamos ver que estarmos aqui hoje representa quase uma impossibilidade matemática. Sim, pois nos equilibramos (tudo o que existe, incluindo a vida) em uma “fio de navalha” milimétrico de lei físicas e de acontecimentos. Qualquer mínimo desvio e pronto: estava tudo acabado!

Mas antes de dar o segundo passo, convido você a se aprofundar um pouco mais neste primeiro, que é um dos mais importantes. Veja agora mesmo exemplos de auto-organização em sistemas não vivos. Depois, veja os experimentos que permitiram aos cientistas descobrir a auto-organização e entender como simples elementos em rede formam naturalmente, por si mesmos, padrões estáveis, exatamente da mesma maneira de nosso cérebro, sem qualquer necessidade de um controle central. E então convido você a uma pequena viagem desde os primórdios da vida na Terra, até hoje.

Depois de tudo isto é que nós vamos ver como o cérebro humano surgiu. E com ele, a sua capacidade de conhecer o mundo e a si mesmo: a cognição.

Este último ponto é realmente de importância máxima.Isto porque você vai ver como que a cada dia fica mais claro que vida e consciência são produzidas exatamente da mesma maneira, e, provavelmente, em última análise, são a mesma coisa.

É aí que você vai entender que a história da vida na Terra nada mais é do que a história da construção de uma consciência derivada da própria vida em si. O reflexo de Deus.

Sem saber desta história, hoje se pode afirmar com toda certeza, não dá para ter noção nenhuma do que significa verdadeiramente “A Obra do Eterno”.

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Comentários

Nome: rodinei sanches lucas

Comentado em: 12/02/2012 19:44

por breve leitura admiro o conhecimento adquirido, porém quanto maior o conhecimento maior o distanciamento entre o criador e sua ultima criação o homem,a que se assemelha a Ele próprio em espírito posto carne, já que chegamos até aqui voltemos atras na historia do homem. Antes do conhecimento das ciencias que observe; não vem diretamente da vontade divina que o homem a possua, pois só a inocencia e alegria de receber diretamente do criador as Suas bençãos em troca exclusiva da sua obediência e confiança na provisão de tudo. A cultura e conhecimento nos torna mais distantes do Criador na devida relação entre o saber e o ser. Antes ser do que saber. Antes aprender para si, do que ser mestre de outros. humildemente peço poder reconsiderar a minha opinião caso discorde do meu pensamento.

Reposta

Meu caro! seu pensamento não é só teu, há muitos que pensam assim. Já vi passagens bem semelhantes no Tao Te King e vários filósofos já teceram estes mesmos comentários, porque, de fato, a cultura é linguagem, e linguagem, sabe-se hoje, é criar um mundo. Mundo verdadeiro ou falso? talvez nenhum dos dois, talvez os dois ao mesmo tempo. Mas quero notar que é de grande cultura o que você disse.

 

Nome: Rafael

Comentado em: 28/08/2012 20:50

A ciência humana esta limitada pelo próprio perceber da mente humana, todo conhecer não é mais que o reconhecer, o que se percebe e compreende, dai que o comprender, se limita pela própria condição do que pode de fato ser experimentado, repetidamente, e obtendo sempre os mesmos resultados, isso me parece a ciência humana. Agora, a experiência , empírica, redutível, reduzida pela razão logica, tem suas limitações exatamente nessa fronteira, a da física e da metafísica. Dai a grande pergunta? Como pode o homem saber de si mesmo, se apenas vive aqui o reflexo da existência fenomenica? Maya, a ilusão, dai por consequência, todas as possíveis percepções físicas, pertencem a ilusão pura e simples, e ai que reside a resposta, !!! Não podemos em consciência física, fenomenica, vislumbrar o chamado real, ou verdade, ou amor sabedoria, e o que vemos passa a ser a grande frustação, de acreditarmos que poderíamos compreender o CRIADOR. O caminho é YOGA, MEDITAÇÃO , transcedental, o lado metafísico, se assim talvez possamos denominar, tão verdadeiro meio. Abraço fraternal.

 

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