Carta Celeste

A verdadeira força não é a do mar em fúria que tudo destrói, mas do rochedo, impassível, que a tudo resiste! - Henrique José de Souza

Artigo de Cor:  Azul Azul
Tópico: Eubiose - Voz do Universo ecoando - Subtópico: Raízes filosóficas - Contextualizando

Biologia do Amor e Biologia do Conhecimento

Publicado em 29/05/2010 10:55 e Atualizado em: 29/05/2010 10:55

Quero compartilhar com vocês algumas reflexões que tenho feito sobre a Escola de Santiago, uma atualíssima e revolucionária maneira de se encarar a cognição, fenômeno básico do humano como “portador da mente” que é, ou seja, a capacidade de conhecer a si mesmo e a tudo o que nos rodeia.

 

Para isto, vou postar aqui a dissertação produzida por Homero Alves Schlichting, da Universidade Federal de Santa Maria/RS, produzida por ele como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Educação. Trata-se de uma ótima introdução ao pensamento sistêmico que, acredito, é um dos absolutamente fundamentais para a compreensão concreta e efetiva das noções de JHS presentes em suas cartas.

 

Segue o resumo da dissertação:

 

“A presente dissertação resulta de pesquisa em torno da obra de Humberto Maturana, criador da Biologia do amor e da Biologia do conhecimento. Estas proposições, como espaços de reflexão, são também denominadas por este autor Matriz biológica e cultural da existência humana. O trabalho está dividido em três capítulos. No primeiro capítulo, procuramos apresentar os contextos em que surgiu a pesquisa. Para isso, explicitamos e refletimos sobre algumas passagens da história de vida do mestrando; trouxemos informações sobre a figura humana de Maturana; discutimos um pouco sobre as inquietações de pesquisadores em ciências sociais e em educação em geral, quanto às possibilidades de superação do pensamento ocidental tradicional; e, trouxemos algumas preocupações de pesquisadores na formação de professores e educação ambiental. No segundo capítulo, apresentamos reflexões centrais propostas por Maturana ao estudar as origens do humano; nosso operar na linguagem em coordenações de coordenações consensuais de ações; as emoções como configurações que fluem na dinâmica do nosso sistema nervoso e organismo; o amor como emocionar básico que constitui o humano; o amor como fundamento do fenômeno social; o racional como um fenômeno que se fundamenta no emocionar e na linguagem; as culturas como redes de conversações; nós humanos como observadores na linguagem; e o giro ontológico e epistemológico que pode possibilitar um outro fazer e pensar. E, no terceiro capítulo, a partir das bases de reflexão centrais na Biologia do amor e na Biologia do conhecimento, procuramos trazer algumas discussões que possam contribuir para a formação de professores e para a educação ambiental. Para isso, a partir destas proposições centrais, discutimos sobre esse modo diferente de formular conceitos; discutimos algumas bases de reflexão; apresentamos alguns conceitos; sugerimos alguns espaços de reflexão pertinentes à formação de professores e a educação ambiental. Com este texto, pretendemos possibilitar um entendimento bastante abrangente a respeito dessa perspectiva oferecida por Maturana e algumas maneiras de refletir a partir delas sobre os fazeres dos professores ao atuar e entender essas situações particulares da educação. Acreditamos que esse entendimento, efetivamente, acontece na medida da nossa disposição em olhar a origem do conhecimento a partir do nosso operar como seres vivos humanos, e, para isso, levemos em conta as nossas possibilidades biológicas, olhando-as do modo que procuramos trazê-las para as reflexões aqui sugeridas.”

 

Assim, estudando o sistema nervoso, sua neurofisiologia e bioquímica, percebeu-se que noções corriqueiras que temos como a possibilidade de nossos sentidos nos mostrarem um “mundo objetivo” e idêntico a todo observador não possui nenhum fundamento em nossa constituição corporal. Ao contrário, irremediavelmente, o mundo que “vemos” não é o que de fato existe exteriormente, mas o que produzimos internamente, a partir das perturbações que o meio ambiente causa em nossa estrutura orgânica e cognitiva. Não existe, assim, nunca, um conhecimento “objetivo”, pois tudo o que podemos fazer (e fazemos constantemente) é gerar subjetivamente coerências a que chamamos, por consenso, realidade.

 

Estas descobertas têm profundas implicações filosóficas e espiritualistas, distanciando-nos cada vez mais das tradicionais concepções de razão como algo que teria a função de descobrir uma verdade externa, sempre igualmente disponível, objetiva e idêntica a todo observador, e nos aproximando da noção, mais antiga, da verdade-sujeito, que revela-se a partir de dentro como um acontecimento (Foucault), quando e onde quer e a quem de direito, ou seja, a mesma Ísis das tradições iniciáticas e das Revelações de JHS.

 

Enfim, seguindo esse percurso, Maturana nos mostra que o amor é a capacidade básica que nos torna humanos: “É o modo de vida hominídeo que torna possível a linguagem, e é o amor como a emoção que constitui o espaço de ações em que se dá o modo de viver hominídeo, a emoção central na história evolutiva que nos dá origem” (MATURANA, 1997a, p. 174).

 

Em resumo, por essa visão, devemos toda a nossa história à capacidade essencial do ser humano: o amor.

 

A dissertação você encontra aqui.

 

 

 

 

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